DE entre culturas PARA entre pessoas

por Ricardo Guimarães
Reduzir pessoas a categorias — culturais ou organizacionais — empobrece a compreensão da identidade do indivíduo e cria caminho fértil para cultivar o modelo mental “Nós versus Eles” e a inevitável fragmentação da empresa... e do mundo!
A história da gestão empresarial explica: para ganhar escala, foi preciso reduzir a variabilidade humana, simplificar comportamentos e transformar pessoas em funções para criar comportamentos coletivos padronizados.
Coletivos menores dentro de coletivos maiores, mas sempre coletivos, aos quais o indivíduo devia se submeter para poder ser aceito, pertencer, subir na firma e ter uma identidade.
Neste cenário, evitar conflitos era uma competência. E a hierarquia recompensava a obediência.
Mas a aceleração promovida pela TIC mudou o cenário: ao substituir a hierarquia por redes horizontais, com mais segurança e poder para o indivíduo se expor com suas ideias, os conflitos, antes reprimidos, vieram à tona.
“A hierarquia tradicional tende a conter o surgimento de conflitos, mas, conforme ela dá lugar a redes de relacionamento mais horizontais, conflitos acabam sendo libertados” – diz William Ury em “SIM, É POSSIVEL: sobreviver e prosperar em uma era de conflitos”.
E conclui: “As pirâmides do poder estão se transformado em redes de negociação.”
Só que essa transformação do cenário nos flagra incompetentes em negociação.
Por falta de uso, nossas habilidades cerebrais e culturais de negociação foram atrofiadas e o resultado é a polarização, o medo do outro e a exclusão como solução.
Ury, do alto de sua cátedra em Harvard, nos alerta sobre a urgência de ensinar negociação “...a partir das escolas de ensino fundamental e médio”.
Se você está lendo aqui um diagnóstico da dificuldade de fazer áreas se integrarem, de garantir um bom fluxo de informação vertical e horizontal e entre a empresa e o mercado; você não está só.
Estamos todos fazendo a transição DE coletivos formados por pessoas obedientes e submissas PARA coletivos de pessoas autônomas e corajosas, aptos a tirar partido da agilidade, do conhecimento e das relações que a TIC proporciona.
Mais que isso, estamos todas buscando a evolução DE uma sociedade fragmentada e perigosa modelo “Nós versus Eles” PARA uma sociedade integrada e segura modelo “EUS”, o novo nome para se referir ao coletivo que estimula e usufrui da individualidade das pessoas.
Acredite, é uma evolução cultural porque no modelo “EUS”, as relações se aquecem, o vínculo entre as pessoas e com a empresa se fortalece, o engajamento deixa de ser imposto, os conflitos ganham função produtiva, a agilidade se instala, o cinismo perde espaço e a vida fica mais fácil e segura para todos.
A boa notícia é que esse desafio é coletivo. E nós, como indivíduos e coletivo, estamos juntos na jornada.
ET: Agradeço ao Carlos Netto, meu amigo e professor do Mestrado Profissional em Comunicação Intercultural nas Organizações (MPCom) da Universidade Presbiteriana Mackenzie e aos seus mestrandos pela oportunidade de trocar ideia sobre tema tão importante quanto urgente.



Comments