O branding do Chico Chico e os 30 anos da Thymus
Outro dia assistindo ao Altas Horas fui surpreendido com Chico Chico cantando “Menino Bonito”, da Rita.
Do alto da minha ignorância nunca tinha prestado atenção nele. Estranhei aquele garoto de sandália havaiana e roupa amarrotada subir no palco do Serginho.
Pouco caso? Falta de consideração? Estilo? Marketing? Quando Chico Chico sentou no banco e olhou em volta com estranha curiosidade, eu paguei para ver!
De chocado fiquei fascinado... com tudo que vi e ouvi. Eu e a plateia do Serginho.
Em seguida fui correndo atrás de entrevistas para chegar mais perto daquele Menino Bonito. Para não dizer que ele lembra a mãe, Chico Chico me lembrou Amy Winehouse, a deusa da imperfeição! Para mim, assistir Chico Chico ou Amy é uma experiência artística porque nos surpreendem com a sua verdade, sua ética e sua estética. Sem efeitos especiais, só com defeitos naturais que nos despertam, encantam, emocionam e conquistam nossa admiração.
O Branding não podia existir no século XX porque a cultura da perfeição e da idealização não permitia. A imagem da marca era construída segundo manuais precisos, pesquisas quantitativas e melhores práticas que calavam e reprimiam qualquer espontaneidade que pudesse sair do padrão. A estética estuprava a ética, à luz dos holofotes da publicidade que escondiam a imperfeição.
O Branding começou a aparecer com a TIC que decretou o fim do tempo diferido e o início da transparência do tempo real que exibia a imperfeição e os bastidores das empresas. O Branding ganhou o palco principal com a descentralização da mídia via redes sociais e a convocação da marca corporativa e sua cultura para se responsabilizar pelos direitos do consumidor que passou a ter a proteção de um Código.
Neste cenário, o Branding surgiu para mitigar risco de uma exposição negativa fora de controle e para cultivar a confiança numa relação envenenada por crenças de que, por exemplo, “marketing é sinônimo de mentira”.
O Branding não é comunicação institucional nem ferramenta de vendas.
O Branding surgiu como competência para gestão de risco e criação de valor num cenário imprevisível, transparente e inovador.
Por isso seu foco é principalmente os ativos intangíveis como relacionamento, cultura, estratégia, marca, conhecimento etc.
Vale conferir a participação de intangíveis no valor de mercado das 500 maiores do S&P.
Saber ser autêntico, espontâneo e imperfeito é uma arte, não uma técnica.
O branding do Chico Chico, franco, belo e imperfeito, devia ser referência para todas as pessoas e suas empresas fazerem sucesso no século XXI.



Comments